Campanha contra os agrotóxicos e pela vida

Rio Grande do Sul lança Comitê Estadual e entra na luta contro o uso de Agrotóxicos e pela Vida.

O lançamento ocorrerá na próxima segunda-feira, 24, no auditório da Emater, em Porto Alegre. O evento inicia às 18h30 com a exibição do documentário “O agrotóxico está na mesa”, de Silvio Tendler.

Na sequência, haverá a palestra da Prof. Dra. Magda Zanoni, bióloga e socióloga, que organizou, junto do francês Gilles Ferment, o livro Transgênicos para Quem? Agricultura, Ciência, Sociedade (MDA, Coleção NEAD Debate) lançado em 2011. Ao seu lado, irão compor a mesa, representantes da Via Campesina e da Emater/RS.

O endereço da Emater/RS é rua Botafogo, 1051, bairro Menino Deus.

Contato:  campanha-contra-agrotoxicos-rs@grupos.com.br

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A campanha reúne mais de 30 entidades da sociedade civil brasileira, movimentos sociais, entidades ambientalistas, estudantes, organizações ligadas a área da saúde e grupos de pesquisadores. O principal objetivo é abrir um debate com a população sobre a falta de fiscalização no uso, consumo e venda de agrotóxicos, sobre a contaminação dos solos e das águas bem como denunciar os impactos dos venenos na saúde dos trabalhadores, das comunidades rurais e dos consumidores nas cidades. A partir da conscientização das pessoas sobre os malefícios provocados a partir do uso dos agrotóxicos, a campanha pretende ajudar na construção de formas de restringir o uso de venenos e de impedir sua expansão, propondo projetos de lei, portarias e iniciativas legais e jurídicas.

Outro campo de atuação da campanha é o anúncio da possibilidade de construção de outro modelo agrícola, baseado na agricultura camponesa e agroecológica. Através da Campanha Permanente contra o uso de Agrotóxicos e pela Vida é possível acessar estudos que comprovam que essa forma de produzir é viável, produz em quantidade e em qualidade suficientes para abastecer o campo e a cidade. Assim, a proposta é avançar na construção destas experiências que são a única saída para esse modelo imposto que concentra riquezas, expulsa a população do campo e produz pobreza e envenenamento. Produzir alimentos saudáveis com base em princípios agroecológicos, em pequenas propriedades, com respeito à natureza e aos trabalhadores é a única forma de acabar com a fome e de garantir qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.

O Comitê Estadual da Campanha Permanente contra o uso de Agrotóxicos e pela Vidavai também auxiliar na criação e ampliação de comitês municipais – como já ocorre em Pelotas, dentre outros municípios – planejar atividades de formação e distribuição de material informativo. O Comitê gaúcho já congrega: Amigos da Terra Brasil; Cáritas; Central Única dos Trabalhadores (CUT/RS); Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA); Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Rio Grande do Sul (CONSEA RS); Comissão Pastoral da Terra (CPT); Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER/RS); Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB); Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul (FTM/RS); Fundação Luterana de Diaconia (FLD); Grupo de Agroecologia (GAE/UFPe); Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá); Levante Popular da Juventude; Movimento de Mulheres Camponesas (MMC); Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA); Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH); Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS); Núcleo de Economia Alternativa (NEA/UFRGS); União Rastafari de Resistência Ambiental (URRAmbiental); Via Campesina.

Prato envenenado

O Brasil é o primeiro colocado no ranking mundial do consumo de agrotóxicos. Mais de um milhão de toneladas de venenos foram jogados nas lavouras em 2010, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola.

Com a aplicação exagerada de produtos químicos nas lavouras do país, o uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transforma em um problema de saúde pública e preservação da natureza.

O consumo de agrotóxicos cresce de forma correspondente ao avanço do agronegócio, modelo de produção que concentra a terra e utiliza  quantidades crescentes de venenos para garantir a produção em escala industrial.

Desta forma, o uso excessivo dos agrotóxicos está diretamente relacionado à atual política agrícola do país, que foi adotada a partir da década de 1960. Com a chamada Revolução Verde, que representou uma mudança tecnológica e química no modo de produção agrícola, o campo passou por uma “modernização” que impulsionou o aumento da produção, mas de forma extremamente dependente do uso dos pacotes agroquímicos [adubos, sementes melhoradas e venenos].

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), na última safra foram vendidos mais de 7 bilhões de dólares em agrotóxicos. Todo este mercado se concentra nas mãos de apenas seis grandes empresas transnacionais, que controlam mais de 80% do mercado dos venenos. São elas: Monsanto; Syngenta; Bayer; Dupont; DowAgrosciens e Basf.

Nesse quadro, os agrotóxicos já ocupam o quarto lugar no ranking de intoxicações. Ficam atrás apenas dos medicamentos, acidentes com animais peçonhentos e produtos de limpeza. Essas fórmulas podem causar esterilidade masculina, formação de cataratas, evidências de mutagenicidade, reações alérgicas, distúrbios neurológicos, respiratórios, cardíacos, pulmonares, no sistema imunológico e no sistema endócrino, ou seja, na produção de hormônios, desenvolvimento de câncer, dentre outros agravos à saúde


A palestrante

Magda Zanoni, é professora da Universidade de Paris Diderot, onde foi pesquisadora de 1978 a 1990 no Laboratoire d’Ecologie Génerale et Appliquée; tem mestrado em Ecologia Fundamental pela Universidade de Paris-Orsay e em Ciências Sociais do Desenvolvimento pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (Paris); é doutora em Sociologia do Desenvolvimento pela Universidade de Paris I-Sorbonne. Atuou no Instituto Agronômico do Paraná e Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social do Paraná, e esteve cedida ao NEAD/MDA pelo Ministério francês do Ensino Superior e da Pesquisa no período de 2003-2009. Atualmente, e desde 1998, é pesquisadora do laboratório “Dynamiques Sociales et Recomposition des Espaces” (Centro Nacional de Pesquisa Científica CNRS, França).


		
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Guarda-roupa ecológico

Algodão orgânico é opção de vestuário sustentável.

Agricultor colhe algodão orgânico no Ceará.

Quando se fala em orgânicos, a ideia de alimentos mais saudáveis geralmente é a primeira a vir à tona. Mas não somente o cardápio pode ser incrementado com produtos ecológicos.

O guarda-roupa também pode ser mais “verde”, através de peças de algodão cultivado de forma orgânica no Brasil.

A contribuição ao meio ambiente é significativa, já que a produção da fibra com agrotóxicos é uma das mais poluentes: é responsável por 25% do total de insumos agrícolas lançados na natureza.

A biodiversidade surpreende quem acha que vestir algodão orgânico representa usar apenas cores cruas. Além do tradicional branco, há tipos naturais de algodão em diferentes tonalidades: bege, marrom, verde, lilás e rubi. As sementes dessas espécies primitivas se perderam com a produção em larga escala.

O tingimento com produtos químicos, por ser mais prático que o plantio das diferentes variedades, fez com que o branco e o bege predominassem nas lavouras.

Mas a EMBRAPA (Empesa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) desenvolve pesquisas sobre algodões coloridos e já recuperou sementes do marrom e do verde. Outros países, como o Peru e o Paraguai, fazem o resgate das sementes primitivas com indígenas e produtores tradicionais de algodão.

Também existem trabalhos de tingimento natural da fibra com tintas ecológicas, feitas de produtos da Amazônia, como sementes, folhas e caules.

Marca trabalha com mais de 700 associados em seis estados do Brasil.

Marca brasileira
É pela valorização da diversidade natural do algodão que a Justa Trama trabalha. A marca constitui uma cadeia produtiva formada por agricultores e artesãos ecológicos. As peças são confeccionadas com algodão 100% orgânico, plantado em dez municípios do Ceará.

“Cada camiseta de algodão convencional utiliza 165g de agrotóxicos. Usar uma camiseta ecológica é a nossa contribuição para que isso não seja feito com o meio ambiente”,  destaca Nelsa Inês Fabrin Nespolo, coordenadora da Justa Trama.

Colhida, a fibra vai para Minas Gerais, onde é transformada em fios e tecidos. Então, a produção é encaminhada para São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Em Porto Alegre, a cooperativa Univens, integrante da Justa Trama, confecciona camisetas, calças e vestidos em três cores naturais. “Buscamos o regaste da cor do algodão na sua essência” diz Nelsa.

A marca também cria brinquedos pedagógicos feitos do mesmo tecido, como jogo da memória, e bolsas. Botões e acessórios, como colares e pulseiras, são feitos de sementes amazônicas por artesãos de Rondônia, no norte do país.

No início do trabalho, em 2005, a Justa Trama trabalhava com 1,5 toneladas de algodão orgânico. Hoje, a marca utiliza dez toneladas e revende as peças em diversas lojas pelo Brasil, além de exportar para a Itália, Espanha e França.

A preocupação da empresa é também social, gera renda para pequenos produtores e grupos de artesãos, como explica Nelsa: “justo é também quando se consegue melhorar a vida das pessoas que fazem esse trabalho e a vida do consumidor”.

Mercado de produtos orgânicos está crescendo

Atualmente mais de 120 países desenvolvem agricultura de base ecológica no mundo. O crescimento médio da área plantada com esses produtos vem aumentando. Segundo a Federação Internacional para os Movimentos da Agricultura Orgânica, o aumento foi de 15 a 20% ao ano, entre 2001 e 2007.

A procura por alimentos orgânicos também tem aumentado significativamente. Ficando na casa de 10% ao ano no mercado interno e entre  20 e 30% no mercado externo.

Especialistas do setor apontam vários motivos para essa migração que vem ocorrendo da produção agroindustrial para a agricultura de base ecológica.

O padrão agroalimentar de produção baseia-se na utilização intensiva de insumos químicos, mecanização pesada, e melhoramento genético voltado para a produtividade, buscando-se produzir  muito e barato. Esse é um modelo de produção que se adapta facilmente para tempos de guerra. Na verdade, o padrão de produção agroindustrial vigente no mundo atualmente tem sua origem em um sistema de produção alicerçado na realidade européia de pós-guerra. Esse sistema funcionou muito bem para suprir as necessidades de reconstrução das economias européias pós nazi-facismo, mas vem entrando em franca decadência principalmente  nos seus países de origem.

A tendência apontada por consumidores mais conscientes de optar por produtos orgânicos, mais saudáveis e menos impactantes para a natureza, é seguida pelos produtores que constatam a grande dependência de insumos caros e tóxicos do sistema agroindustrial.

Um fator que tem preocupado os dirigentes dos países ricos é o crescimento econômico de alguns países como, por exemplo, o Brasil. O aumento de poder aquisitivo da população leva ao conseqüente aumento do consumo de produtos agrícolas, entre outros. A grande movimentação na economia mundial tem gerado instabilidade nos preços dos produtos primários, também conhecidos como commodities no mercado financeiro. Essa é uma das principais pautas a serem debatidas no encontro do G20, que acontece esse final de semana.

Para o ministro da fazenda, Guido Mantega, a política de subsídios agrícolas praticada pelos países ricos é um sério problema enfrentado pelo mercado de produtos primários, onde se encontram os produtos de base ecológica.

Para tranqüilizar produtores e consumidores é importante implementar a certificação dos produtos orgânicos e o controle e rotulagem dos alimentos transgênicos, pauta para um próximo texto.

Produtos orgânicos

Você sabe quais são as vantagens de consumir e incentivar a produção de alimentos orgânicos?

Quando pensamos na nossa saúde e de nossos familiares é lógico que queremos o que é melhor e mais saudável em termos de alimentos. Bem, pelo menos deveria ser assim.

Seguindo essa lógica, responda a questão abaixo.

Se você escolheu a primeira opção, então certamente optou por alimentos orgânicos.

Que tal conhecer um pouco mais sobre a produção orgânica?

O principal objetivo desse sistema de produção é promover a qualidade de vida com proteção ao meio ambiente.

Conforme explica o Ministério da Agricultura, a principal característica da produção orgânica é não utilizar agrotóxicos, adubos químicos ou substâncias sintéticas que agridam o meio ambiente. Para ser considerado orgânico, o processo produtivo contempla o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. O Brasil já ocupa posição de destaque na produção mundial de orgânicos.

Dois conceitos são fundamentais na produção orgânica: a relação de confiança entre produtor e consumidor e o controle de qualidade. O selo SisOrg é obtido por meio de uma Certificação por Auditoria ou por um Sistema Participativo de Garantia. Os agricultores familiares são os únicos autorizados a realizar vendas diretas ao consumidor sem certificação, desde que integrem alguma organização de controle social cadastrada nos órgãos fiscalizadores.

A Coordenação de Agroecologia (Coagre), da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC), é o setor do Ministério da Agricultura que responde pelas ações de desenvolvimento da agricultura orgânica. Tem como funções a promoção, o fomento, a elaboração de normas e a implementação de mecanismos de controle. Visite também o site www.prefiraorgânicos.com.br, mantido pelo ministério.

Então, se você gostou dessa informação, repasse esse link ( http://wp.me/pff11-3V) para os seus amigos e familiares. Vamos ajudar a preservar o nosso planeta e melhorar a saúde e a qualidade de vida da população.

NÃO ESQUEÇA

Quanto mais alimentos saudáveis a população consome, em detrimentos de alimentos industriais e produzidos com venenos químicos, menos doente fica. Isso reflete, também, na qualidade do serviço de saúde pública. Ou seja, quanto mais saúde, menos gastos com remédios e hospitais. Pense nisso!

Onde encontrar produtos orgânicos?