Liderança kaiowá fala sobre o movimento de 9/11

Do canal Maranduhára (You Tube)

“Valdelice Veron, mulher liderança Kaiowá, filha do líder assassinado Marcos Veron, fala sobre a luta pela retomada de terras e deixa recado para quem a ameaça e persegue no ato nacional de apoio ao povo Guatani-Kaiowá, em Dourados-MS.”

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Manifestantes apoiam causa guarani kaiowá

Mais de 1.500 pessoas participaram da passeata realizada no dia 9, em Porto Alegre (RS), para mostrar o apoio ao povo guarani kaiowá e aos demais indígenas do Brasil. Outras cidades também estão se mobilizando para organizar seus movimentos, que são todos apartidários e multiétnicos.

Embora a grande mídia tape os olhos para este importante fato, o que não é nenhuma novidade, o sucesso da movimentação já repercute na opinião pública.
Após a caminhada, o grupo se reuniu em frente à Federação da Agricultura do Estado do RS (Farsul) para protestar contra o abuso do sistema ruralista brasileiro, que avança sobre importantes territórios do País, expulsando comunidades históricas e desmatando a vegetação nativa.
Como o grupo não tem representante nem alguma instituição organizando o movimento, a ideia é seguir mobilizando através das redes sociais.

Nos jornais:

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=475308

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2012/11/grupo-realiza-manifestacao-em-defesa-dos-indigenas-da-etnia-guarani-kaiowa-3946725.html

Para diminuir conflito com índios guarani kaiowá, procurador defende pagamento de indenização a fazendeiros

Brasília – A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado iniciou hoje (1º) os debates para estabelecer o diálogo com representantes da sociedade, lideranças indígenas e do Poder Público com o objetivo de tentar encontrar uma saída para a violência contra os índios da etnia Guarani Kaiowá que lutam pela posse da terra em Mato Grosso do Sul. O presidente do colegiado, Paulo Paim (PT-RS), disse que todo o processo de negociação será feito em parceria com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Para o procurador da República em Dourados (MS), Marco Antonio Delfino, a União deve reconhecer sua responsabilidade no processo de colonização do estado que resultou no quadro atual de conflito agrário na região. Na época, para que fazendeiros se instalassem no estado, o governo federal concedeu a eles títulos de posse de terras que eram tradicionalmente ocupadas por índios.

O procurador sugere que a União repasse recursos, por um período de dez anos, para ressarcir fazendeiros, com base no valor da terra nua, o que viabilizaria o assentamento definitivo dos indígenas da região. “Há uma tensão elevada e a única saída é que a União reconheça esse erro histórico. Infelizmente, a demarcação pura e simples só significa o acirramento da situação”, enfatizou Delfino.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) considerou a sugestão financeiramente viável e uma saída para acabar com os conflitos entre fazendeiros e índios da etnia Guarani Kaiowá. O parlamentar pediu ao procurador e à Fundação Nacional do Índio (Funai) que apresentem um estudo detalhado, com o planejamento dos recursos necessários, para que senadores e deputados possam negociar com a presidenta Dilma Rousseff.

“Podemos ter essas parcelas de R$ 100 mil já incluídas no Orçamento da União de 2013, que está em elaboração pelo Congresso. Mas tem que ser uma realidade para que governo não venha contingenciar os recursos. Essa é a saída efetiva para resolver os problemas dos indígenas”, ressaltou o senador.

A presidenta da Funai, Marta Maria do Amaral Azevedo, destacou, entretanto, que o reconhecimento da União de entrega de títulos de propriedades de terras da etnia Guarani Kaiowá a fazendeiros é uma questão a ser negociada com o Ministério da Justiça. “Não posso trazer uma solução, mas me comprometo a estabelecer o diálogo.”

Marta do Amaral disse que as autoridades de Mato Grosso do Sul precisam se comprometer “para melhorar os índices de violência na região do Cone Sul do estado”.

Marcos Chagas – Agência Brasil

Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo

  • Direitos autorais: Creative Commons – CC BY 3.0

Filme sobre Guarani-Kaiowá é apresentado em Porto Alegre

Os índios guarani-kaiowá estavam sobre o viaduto da Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre, na noite desta quarta-feira (31). Eram os atores principais do filme Terra Vermelha (2008), do diretor ítalo-chileno Marco Bechis, que conta com as excelentes atuações dos brasileiros Leonardo Medeiros e Matheus Nachtergaele.

Exibido ao ar livre para uma plateia de mais de 100 pessoas, que ocupou as escadarias do viaduto Otávio Rocha, em frente ao movimento Utopia e Luta, o longa-metragem é inspirado em fatos reais. A história se desenvolve ao redor de um grupo indígena da etnia guarani-kaiowá que, liderado pelo cacique Nádio (Ambrósio Vilhalva), sai da reserva para habitar o local onde seus ancestrais foram enterrados.

O filme aborda, entre outros aspectos, o tão recentemente divulgado caso dos suicídios de jovens indígenas.

No entanto, um dos grandes objetivos dos organizadores da exibição foi promover o acesso ao conhecimento sobre a cultura e a causa das tribos guarani brasileiras e desmitificar tais atitudes.

Ao final da sessão, o professor José Otávio Catafesto de Souza, do departamento de antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o índio Guarani-mbyá Vherápoty, da tribo localizada no Canta Galo, região sul de Porto Alegre, expuseram seus pontos de vista sobre o tema e abriram para o período de debates.

Os demais participantes ouviram atentamente as colocações daqueles que fizeram uso do microfone e expuseram seus protestos, indignações e poesias em apoio aos índios guarani-kaiowá, de Tekoha guasu, território tradicional desta etnia, localizado no Mato Grosso do Sul, região Centro-Oeste do país.

Conforme foi anunciado pelos organizadores, está agendado um encontro no dia 9 de novembro, às 17h, no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, para mostrar o posicionamento contrário da sociedade frente à violência que está sendo executada contra os guarani-kaiowá. A intenção dos participantes é percorrer o caminho até a frente da Federação da Agricultura do Estado do RS (Farsul) para mostrar a indignação em relação à atual forma de exploração das terras no RS e no Brasil.