Ambientalistas divulgam carta aberta cobrando informações sobre a Operação Concutare

Agapan entrega  carta à PF

Foto: Agapan

Hoje, 29 de abril, quando completa um ano da deflagração da Operação Concutare, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Ingá), a Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (Apedema) e o Movimento Gaúcha em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema) divulgam uma carta aberta direcionada ao Ministério Público Federal e as secretarias do Meio Ambiente do município de Porto Alegre do Estado do RS, cobrando esclarecimentos sobre o andamento das investigações, que encontram-se, ainda, em segredo de Justiça. Continuar lendo

Abraço ao Guaíba aconteceu mesmo com frio e chuva

O dia, que amanheceu ensolarado nesse sábado, 21, em Porto Alegre, acabou sofrendo uma virada de tempo que trouxe frio para a cidade e vento forte na orla do rio Guaíba.

O abraço ao rio aconteceu mesmo sob as interpéries. Segundo os organizadores, um novo abraço será realizado em data a ser definida. A intenção é celebrar a importância que o Guaíba tem para a cidade e demonstrar para a Administração Pública que a população está preocupada com os projetos que estão programados para serem instalados na orla do rio, sem as devidas consultas populares.

Fotos: Cesar Cardia

Abraço ao Guaíba será no dia 21/04

Abraço de 1988 - Reprodução

O amor ao seu rio é uma característica dos porto-alegrenses (de nascimento e por opção). Na capital gaúcha, o sentimento de respeito por nossa gente, nossas tradições e nossos recursos naturais não é diferente do interior do estado. Pelo contrário, esse sentimento é tão forte e integrado aos costumes do Rio Grande do Sul que faz com que os moradores dessa terra sejam reconhecidos internacionalmente pelo orgulho de ser gaúcho.

O Hino rio-grandense, por exemplo, é ensinado em casa, nas escolas, nas ruas, nos estádios de futebol. Cantar o Hino do Rio Grande do Sul, com força e entusiasmo, é honrar a nossa história e afirmar, com amor e emoção: “Eu sou gaúcho. Eu amo a minha querência!”. (veja o Hino abaixo)

Mas não basta, pra ser livre, ser forte, aguerrido e bravo. Povo que não tem virtude acaba por ser escravo”.

E são as virtudes do gaúcho que fazem com que o povo do RS seja acostumado a “pelear” por sua gente e por sua terra. Foi aqui que surgiu, em 1971, a Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), primeira entidade ambiental do Brasil, que nesse mês de abril completa 41 anos.  O pioneirismo da Agapan, que iniciou suas atividades sob a liderança de José Lutzenberger, foi protagonista de diversas passagens ambientalistas de protesto e educação ambiental. Em 1988, integrou a força ambientalista brasileira, que foi fundamental para a introdução do capítulo de Meio Ambiente na Constituição do Brasil. Naquele mesmo ano, foi uma das incentivadoras do Ato Público de Abraço ao Rio Guaíba.

Nesse ano, em parceria com as ONGs Ingá Estudos Ambientais, Solidariedade e Instituto de Comunicação Social e Cidadania, a Agapan apoia mais um Abraço ao Guaíba. O evento acontece no dia 21 de abril, durante o Hanamatsuri (Festa das flores japonesa), que acontece na Usina do Gasômetro.

“Entendemos que a Orla é um espaço público, para as pessoas usufruírem, e assim deve ser ocupada, com equipamentos que atraiam a população até ela”, destaca Francisco Milanez, presidente da Agapan.

PARTICIPE DO ABRAÇO AO GUAÍBA

Dia: 21.04.2012
Hora: 16h
Local: Orla do Guaíba, próximo à Usina do Gasômetro
 

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ONG gaúcha ganha na justiça o direito de obter informações sobre construção de hidrelétrica

Enquanto o governo brasileiro insiste em alicerçar a  matriz energética do país com construções de usinas hidrelétricas (UHE) sobre importantes áreas do patrimônio natural, como o polêmico caso de Belo Monte, no Xingu, ambientalistas gaúchos conseguem suspender, através de ação na justiça, o andamento do processo da UHE Pai- Querê.

“Não foi a primeira vez que o InGá precisou acionar o Poder Judiciário para obter o processo de licenciamento ambiental do Projeto UHE Pai Querê”, informa a entidade em página na iternet.

Segundo a AGAPAN, o projeto desta hidrelétrica, prevista pelo PAC para ser construída no rio Pelotas, na divisa do RS e SC,  prevê a construção da usina em Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade (MMA, 2007) e em Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Conforme o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), ONG autora da ação cautelar movida contra o IBAMA, a construção dessa UHE poderia destruir 4 mil hectares de florestas com araucária, em vales escarpados, e 1,2 mil ha de campos rochosos, de altitude, destruindo também mais de 100 km de corredeiras, com dezenas de peixes endêmicos e restritos a estas condições.

Mais detalhes no portal do InGá.

Justiça Federal determina que IBAMA disponibilize documentos sobre a UHE Pai-Querê antes das Audiências Públicas

Expedição botânica desvenda áreas de extrema relevância ambiental no RS

Estreito do Rio Pelotas, junto à foz do Rio Cerquinha, em Bom Jesus, RS.

No início do mês de fevereiro deste ano, uma equipe de estudos botânicos do Instituto de Biociências da UFRGS, coordenada pelo Prof. Paulo Brack, que desenvolve o Projeto Documentação Pró- Biodiversidade do Rio Pelotas, encontrou mais áreas naturais com altíssimo valor em atributos de paisagem e biodiversidade, nos vales do rio que fica na porção norte do município de Bom Jesus, na região dos Campos de Cima da Serra. Esta área é considerada como de Extrema Importância para a conservação da biodiversidade, no Mapa das Áreas Prioritárias, do Ministério de Meio Ambiente (2007).

Entre os pontos que foram percorridos, destacam-se os rios Bandeirinhas, Cambarazinho e Pelotas, em sua maioria ladeados por matas com araucária e campos rupestres. No caso do rio Bandeirinhas, localizado a cerca de 30 km ao norte do centro do município de Bom Jesus, é muito grande a quantidade de cascatas circundadas por uma vegetação luxuriante, com presença de espécies raras e ameaçadas de extinção, como a própria Araucária (considerada Criticamente Ameaçada pela Lista Internacional de Espécies Ameaçadas da IUCN), o butiá-da-serra (que tem nome internacional deWooly-Jelly-Palm, é Vulnerável, pela IUCN), a rainha-do-abismo, a jalapa-do-campo e outras dezenas de espécies de habitats particulares, associados a afloramentos rochosos, que não foram degradados intensamente pela ação humana. Apesar do baixo impacto, populações de indivíduos adultos de butiá e araucária, por exemplo, não estão se regenerando naturalmente e, inclusive, estão em declínio acentuado. Entre os objetivos da equipe está a realização de um vídeo e a publicação de um livro sobre a importância da flora regional.

No rio Pelotas, junto à foz do rio Cambarazinho, foi constatada a presença de um estreito (uma faixa de rio confinada em fendas de poucos metros), com corredeiras turbulentas, semelhante ao Estreito Encanados, que desapareceu, com a hidrelétrica de Barra Grande, em Vacaria, RS. A maior parte das áreas visitadas possui atributos que se encaixam nos chamados Monumentos Naturais, definidos pela Lei do SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), porém carecem de políticas de conservação da biodiversidade.

Os membros da equipe buscam avaliar os atributos ligados à vegetação, considerando também a questão relacionada ao projeto da hidrelétrica de Pai Querê (292 MW), que poderá, brevemente, ter seu EIA-RIMA submetido à audiência pública, por parte do IBAMA. Cabe ressaltar que a obra poderia causar o alagamento de uma área de 6,14 mil hectares, sendo mais de 4 mil hectares de Florestas com Araucária (que hoje representa somente 2% de sua cobertura original) e de 1,2 mil hectares de campos nativos, em plena Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Além destas questões, existe a possibilidade de desaparecimento local (como o caso do queixada, que só é encontrado nesta região do RS), ou mesmo extinção de dezenas de espécies animais, com destaque a peixes e outros organismos de rios com corredeiras.

A região dos Campos de Cima da Serra (em terrenos mais elevados e planos) já está vivendo a expansão acelerada da fronteira agrícola (monoculturas de soja, milho, maçã, pinus, batata e outras hortaliças) e (nos fundos de vale) a construção de inúmeros empreendimentos hidrelétricos, comprometendo irreversivelmente os campos nativos, as florestas, os butiazais, e os ecossistemas originais de rios.

A equipe não acredita que o Ibama possa encontrar argumentos sólidos que permitam mais um grande impacto ao rio Pelotas-Uruguai, representado por mais um empreendimento hidrelétrico, pois as demais quatro hidrelétricas já construídas, a jusante do ponto em questão, já causaram o trágico desaparecimento local de populações importantes de espécies de flora e fauna.

Paulo Brack, que também faz parte do InGá, destaca: “até agora não houve o cumprimento do Termo de Compromisso da UHE de Barra Grande, que considerou a necessidade da implementação do Corredor Ecológico do rio Pelotas-Aparados da Serra”. E vê com indignação “mais um capítulo desta novela, fomentado pelo Programa de Aceleração do Crescimento, que prevê, em mesmo rio, a quinta hidrelétrica em série, jogando para escanteio os preceitos constitucionais mais elementares que protegem a Mata Atlântica, as espécies ameaçadas de extinção, os ribeirinhos e as alternativas energéticas que ganham vulto com a implementação de Parques Eólicos na região”.

Estes e outros temas ligados aos empreendimentos hidrelétricos na bacia do rio Uruguai serão tratados no IV Fórum sobre Impacto das Hidrelétricas, que ocorrerá entre 13 e 14 de março no Salão de Atos II da UFRGS, e que contará com o apoio do InGá e de outras entidades da Apedema, do RS.

Texto e fotos: InGá
Divulgação: Observatório Ambiental
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