Responsabilização das empresas de biotecnologia por danos causados pelos transgênicos

segundo boletim informativo “Biodiversidade e Rio+20”, produzido pela Terra de Direitos, aponta a necessidade de responsabilização das empresas de biotecnologia pelos danos gerados pelos transgênicos no meio ambiente.
Segundo a publicação, o Protocolo Suplementar ao protocolo de Cartagena pode ser instrumento de responsabilização das transnacionais da biotecnologia por danos causados pelos transgênicos ao meio ambiente e à saúde pública.
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Acesse também o planfleto sobre o tema.

Via Boletim AS-PTA

Mitos transgênicos

“Na ponta do lápis, somente os agricultores que participam do programa “Soja Livre” instalados no Mato Grosso embolsaram receita adicional de R$ 235,3 milhões na última safra. Adicionalmente, ao não terem que recolher taxas de royalties para as empresas produtoras de sementes transgênicas, economizaram R$ 47,4 milhões”, informaCésar Borges de Sousa, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados e vice-presidente da Caramuru Alimentos, em artigo publicado no jornal Valor, 18-05-2012.

Segundo ele, “mais valorizada pelo mercado, a soja não transgênica é também mais competitiva. É o que mostra estudo da Embrapa Agropecuária Oeste sobre a safra 2010/11. O custo de produção da soja transgênica situou-se em R$ 1.219,86 por hectare, enquanto o da soja convencional ficou em R$ 1.187,60, uma economia de R$ 32,20 por hectare”.

Eis o artigo.

Em outubro de 2010, a Embrapa, maior centro de pesquisa agropecuária do mundo tropical, lançava um programa denominado “Soja Livre” no Mato Grosso, maior produtor brasileiro do grão. Menos de dois anos depois, o programa, conduzido em parceria com a Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange) e com a Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), é uma das principais conquistas da agricultura brasileira.

Explica-se: os produtores que a ele aderiram estão operando com grandes vantagens sobre os agricultores que formam suas lavouras com variedades transgênicas: economizam no pagamento de royalties pagos às empresas produtoras de sementes geneticamente modificadas, operam com menor custo de produção e registram alta produtividade.

De quebra, ainda obtêm maior remuneração, como resultado do prêmio que os consumidores europeu e asiático – que têm aversão a produtos transgênicos – dispõem-se a pagar, de forma a garantir o suprimento de produtos certificadamente não geneticamente modificados.

Na ponta do lápis, somente os agricultores que participam do programa “Soja Livre” instalados no Mato Grosso embolsaram receita adicional de R$ 235,3 milhões na última safra. Adicionalmente, ao não terem que recolher taxas de royalties para as empresas produtoras de sementes transgênicas, economizaram R$ 47,4 milhões.

Mais valorizada pelo mercado, a soja não transgênica é também mais competitiva. É o que mostra estudo da Embrapa Agropecuária Oeste sobre a safra 2010/11. O custo de produção da soja transgênica situou-se em R$ 1.219,86 por hectare, enquanto o da soja convencional ficou em R$ 1.187,60, uma economia de R$ 32,20 por hectare.

Já pelos cálculos da Embrapa e de estudo do Instituto Matogrossense de Economia Agrícola (Imea) realizado na safra 2009/10, a vantagem da soja convencional é ainda maior. Esse trabalho apontou o custo de produção de R$ 440,26 para a soja transgênica, enquanto o da soja não transgênica ficou em R$ 380,75 – o que significa um ganho de R$ 51,51 por hectare.

Os produtores que participam do “Soja Livre” também não conhecem o preocupante aumento da resistência de plantas daninhas ao glifosato, o herbicida utilizado nos pacotes tecnológicos de lavouras geneticamente modificadas associado com o uso de herbicidas convencionais que voltaram com força total para proporcionar um manejo mais efetivo.

O insuspeito Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) calcula que a área infestada por plantas invasoras e resistentes ao agroquímico já soma mais de 10 milhões de hectares. No Brasil, os campos de produção de soja estão sendo tomados por invasoras como o capim amargoso, buva, corda de viola, trapoeraba e o próprio milho transgênico, resistente ao glifosato. São plantas de rápida disseminação e difícil controle, o que deve ser realizado com aplicações posteriores de outras famílias de defensivos, acarretando custos adicionais de produção.

O Brasil, a propósito, assumiu a liderança mundial no consumo de agrotóxicos. As vendas de defensivos em 2010 somaram US$ 8 bilhões, movimentando 1 milhão de toneladas, o que representa o consumo de 5 quilos de agroquímicos por brasileiro, conforme dados da Associação Nacional de Defesa Vegetal. Ou seja, a propalada redução da utilização de defensivos que a transgenia proporcionaria ao meio ambiente não passa de mais um mito.

Finalmente, é preciso que se diga com clareza que, não fosse o pioneirismo do programa “Soja Livre”, garantindo a oferta de sementes convencionais de alto desempenho, o produtor estaria à mercê do monopólio da transgenia – fato que, infelizmente, pode estar ocorrendo no mercado de milho. Trata-se, como se vê, de uma questão de soberania nacional.

Diante desse quadro, soa risível o bordão “a Embrapa perdeu o bonde”, escrito e multiplicado por chamados analistas de mercado para apontar o que pretensamente seria um ponto fraco da entidade: seu suposto atraso tecnológico na pesquisa e desenvolvimento de produtos transgênicos.

A Embrapa, detentora de um dos maiores bancos genéticos públicos do planeta, não apenas investe na pesquisa de produtos transgênicos como vem registrando conquistas que colocam o trabalho de investigação científica brasileira na linha de frente da pesquisa mundial. Como exemplo, cite-se o feijão transgênico resistente a vírus, um feito que constitui pioneirismo mundial.

Responsável pela proeza de desenvolver a tecnologia de produção que permitiu a exploração dos Cerradosbrasileiros, a Embrapa também deu a maior contribuição para colocar o Brasil nas primeiras posições do ranking internacional de produção e exportação de soja, ao aclimatar a cultura originária da China às condições tropicais.

Perfeitamente sintonizada com a modernidade, a empresa desenvolve variedades de soja transgênica e de outras culturas. É o caso da alface-vacina, que incorpora uma proteína que atua como antígeno do protozoário que provoca a leishmaniose (lepra). Uma vez desenvolvida tal tecnologia, podermos nos imunizar contra a doença com o prosaico ato de consumir alfaces (!).

Mais ainda: a empresa também investe no desenvolvimento de variedades transgênicas de batata resistentes aos vírus do enrolamento das plantas e do mosaico; na obtenção de plantas de mamão das variedades formosa e papaia resistentes ao vírus da mancha anelar e de tomates resistentes ao geminivírus, uma das piores pragas da cultura.

Finalmente, a Embrapa é um dos principais pilares da política de segurança alimentar do país, ao garantir o suprimento de material genético de alta performance de produtos de importância socio-econômica, como o são os alimentos básicos: mandioca, arroz, feijão, trigo, leite, carnes e outros. Vale lembrar que as empresas de transgenia não manifestam o menor interesse por este mercado de produtos básicos. O material genético desenvolvido pela instituição só interessa às empresas de sementes quando se trata de grandes culturas.

Tudo considerado, a afirmação de que a “A Embrapa perdeu o bonde” constitui, pois, evidente descalabro ou – mais grave -, dissimulada divulgação de interesses comerciais de empresas às quais a empresa brasileira é indevidamente comparada.

Via IHU On-line

Desabafo de um agricultor

“Encurralar: meter em curral, encantoar em local sem saída, sem opção de escolha, perda da liberdade… é assim que está o agricultor que não deseja aderir ao plantio de organismos geneticamente modificados, no meu caso a soja e o milho.”

Gostaria que me permitissem um desabafo.

A agricultura, atividade milenar que fixou o homem tirando-o do nomadismo, criou a possibilidade da civilização se desenvolver, é a pedra angular na produção de alimentos para a humanidade. Hoje é uma atividade controlada.

A produção de alimentos é entendida, ou pelo menos deveria ser entendida pelos governantes de um país, como um ponto estratégico, segurança alimentar.

A nação que se auto sustenta na produção de alimentos tem uma vantagem óbvia em relação às que não forem capazes. Mas, pelo que tudo indica, nossos governantes (eu me refiro em especial aos parlamentares, congressistas que compõem a bancada ruralista) não estão dando importância para auto sustentabilidade e segurança alimentar da nação. Se eu pudesse gostaria de fazer algumas perguntas a esses parlamentares que me referi acima:

Por que depender de uma tecnologia criada por um concorrente que tem por principal objetivo o controle sobre as sementes e os agricultores e o controle sobre a produção de alimentos no mundo?

Por que deixar corporações estrangeiras ditarem as regras de um setor tão importante?

Será que com todos os cientistas e mentes brilhantes que temos aqui no Brasil não seria possível encontrar uma outra solução para os problemas enfrentados pela agricultura além dessa proposta dos organismos geneticamente modificados?

Do agricultor foram tirados todos os direitos básicos elementares de optar por um ou por outro sistema de produção, de poder guardar as suas sementes, a liberdade de escolha.

Além do agricultor ter que arcar com o risco das intempéries, das mudanças climáticas e de toda má sorte que pode ocorrer desde o plantio até a colheita, ele é jogado no covil desses leões famintos que são essas mega corporações que estão nos empurrando para um brete sem saída. E o pior, com o aval de quem deveria nos proteger.

Quem deveria nos proteger são os representantes do setor agrícola no congresso. Criando leis, mecanismos que impeçam essas corporações de fazer o que bem entendem, de fazer com que o agricultor fique cada vez mais dependente, mais endividado, mais impotente, mais desesperado, mais sem saída.

Afinal, bancada ruralista, a quem vocês estão representando mesmo?

Grato pela atenção,

Silvio Guerini

Carta enviada para a AS-PTA - Agricultura Familiar e Agroecologia - 
publicada no Boletim 565, de 26 de novembro de 2011

Futuro incerto para a produção de alimentos

Um estudo, coordenado pelo governo britânico, indica a necessidade de criar novas variedades de plantas que se adaptem ao aquecimento global.

Outros fatores como “o aumento da população global; a mudança nos padrões alimentares e no volume do consumo per capita de produtos agrícolas; a competição pelos recursos terra, água e energia”, devem influenciar nas formas de produzir alimentos.

Leia a matéria publicada por Juliana Freire, Embrapa.

Embrapa participa de estudo sobre alimentação

Pesquisa identifica as mais importantes decisões que os governantes devem tomar hoje e nos próximos anos para garantir que a população mundial possa ser alimentada de forma sustentável

Brasília (09/02/2011) – O trabalho de 14 pesquisadores da Embrapa contribuiu para as conclusões do “Relatório Foresight ─ O Futuro da Alimentação e agricultura: desafios e opções para a sustentabilidade global”, coordenado pelo governo britânico. O convite foi feito pelo chefe do Gabinete do Governo Britânico para a Ciência, professor Jonh Beddington, em fevereiro de 2009.

O estudo analisa as principais pressões sobre o sistema alimentar mundial até 2050. A pesquisa identifica as mais importantes decisões que os governantes devem tomar hoje e nos próximos anos para garantir que a população mundial possa ser alimentada de forma sustentável. O relatório ajuda a identificar uma ampla agenda de ações possíveis para que a agricultura possa enfrentar os desafios futuros na produção mundial de alimentos.

De acordo com o coordenador do estudo pela Embrapa, pesquisador Carlos Santana, o Brasil ocupa papel de destaque em âmbito internacional. O reconhecimento devido ao desenvolvimento tecnológico de sua agricultura foi fundamental para que a empresa subsidiasse o relatório. “O fato de o Brasil ser considerado um dos principais países produtores de alimentos, fibras e produtos agroenérgicos do mundo, entre outros fatores, motivou o convite feito à Embrapa”, explicou.

O estudo “Capacidade Produtiva da Agricultura Brasileira: Perspectiva de Longo Prazo” foi elaborado por uma equipe formada por profissionais da Secretaria de Gestão Estratégica e Assessoria da Presidência da Embrapa e pelas unidades Embrapa Informática Agropecuária (Campinas/SP) e Embrapa Estudos e Capacitação (Brasília/DF). O material contribuiu para elaboração das conclusões do relatório com relação à importância de expandir os investimentos na geração de novas tecnologias e inovações agropecuárias. “Conseguimos mostrar o impacto da utilização de tecnologias mais produtivas sobre a área necessária para alcançar a produção estimada nos estados responsáveis por 80% da produção nacional no período de 2010-2030”, explicou Carlos Santana.

O pesquisador esclareceu ainda que o documento alerta para a necessidade de se investir no desenvolvimento de novas variedades e tecnologias. Estas devem adaptar-se à produção agrícola a temperaturas mais elevadas, em decorrência das mudanças climáticas. No caso do Brasil, isso recai principalmente para os cultivos de soja, trigo e café, “já que apresentam maior perspectiva de perdas em um cenário de temperaturas médias mais elevadas”.

Conclusões

O relatório Foresight apresenta as conclusões obtidas a partir da avaliação dos desafios futuros do sistema alimentar e agroenérgico. Segundo Santana, fatores como aumento da população global; a mudança nos padrões alimentares e no volume do consumo per capita de produtos agrícolas; a competição pelos recursos terra, água e energia, determinaram as mudanças observadas no estudo.

A análise resultou na definição de cinco desafios, examinados de forma disciplinar por 400 especialistas das ciências naturais e sociais envolvidos no projeto. Os desafios são: equilibrar demanda e oferta futuras de forma sustentável; reduzir a volatilidade no sistema alimentar; diminuir a fome; reduzir a emissão de gás de efeito estufa; e alimentar o mundo mantendo a biodiversidade e os serviços ambientais.

O estudo traz uma perspectiva positiva, nos próximos 20 anos, da capacidade produtiva da agricultura brasileira. “A produção nacional de grãos, cana de açúcar, café e carne bovina deverá crescer entre 47% e 68% (dependendo do produto considerado), acima da média observada em 2007-2009, sem colocar forte pressão sobre a expansão de área, nem ameaçar a sustentabilidade ambiental e ocasionar grandes perdas de biodiversidade. Com exceção do trigo, o consumo doméstico desses produtos será atendido pela produção interna mantendo o país em destaque nos mercados internacionais de soja, açúcar, café, algodão e carne bovina”, explicou o pesquisador Carlos Santana, da Embrapa.