Água do mar subiu sete centímetros nos últimos 20 anos

Observatório Ambiental

Contribuição da fusão do gelo da Gronelândia e Antárctida para o aumento do nível do mar é de 0,59 milímetros por ano

 

 

Investigador afirma que novos dados são os mais fiáveis conseguidos até agora.

 

 

Nos últimos anos, a comunidade científica publicou pelo menos 29 estimativas diferentes sobre a quantidade de camadas de gelo que tem contribuído para a subida do nível do mar. Os resultados oscilavam entre 1,9 e os 0,2 milímetros anuais.

A nova estimativa, realizada por alguns dos mais prestigiados cientistas do clima e recentemente publicada na «Science», situa a contribuição da fusão do gelo da Gronelândia e Antárctida em 0,59 milímetros por ano, em média, desde 1992.
O estudo refere que os níveis globais do mar subiram 3,3 milímetros por ano durante esse período de tempo, o que faz com que o aumento seja de aproximadamente sete centímetros nas duas últimas décadas.
Andrew Shepherd, investigador da Universidade de Leeds (Reino Unido) e autor principal do estudo, referiu em videoconferência com jornalistas que estas estimativas de perda de gelo nas camadas continentais“são as mais fiáveis realizadas até agora”.
O investigador acrescenta que o estudo “acaba com 20 anos de incertezas acerca das alterações nas massas de gelo da Gronelândia e Antárctida”. Este registo pretende, também, servir de base de referência para estudos futuros.
A investigação examina os três métodos que se utilizaram para medir o degelo por distintos grupos e estabelece critérios comuns que permitem aos cientistas descartar algumas observações atípicas e demonstrar que os resultados obtidos são correctos.

Fonte: Ciência Hoje (Portugal)
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Alerta planetário: recuo do gelo do Oceano Ártico libera gases de efeito estufa mortais

A equipe de pesquisadores russos ficou estupefata depois de encontrar fontes de metano,  em quantidade cem vezes maior que o já visto, borbulhando até a superfície.

Quantidades inéditas e dramáticas de metano – um gás de efeito estufa 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono – foram vistas borbulhando até a superfície do Oceano Ártico por cientistas que realizavam uma vistoria extensiva da região.
A escala e o volume da liberação de metano deixou estupefato o chefe da equipe russa de pesquisa que há vinte anos vistoria o solo oceânico da Plataforma continental Ártica da Sibéria, na costa norte do Leste da Rússia.

Em entrevista exclusiva a The Independent, Igor Semiletov, membro da Academia Russa de Ciências, disse que nunca havia testemunhado a escala e a força do metano liberado de debaixo do solo oceânico ártico.

“Anteriormente havíamos encontrado estruturas em forma de tocha como esta, borbulhando metano, mas elas possuíam apenas dezenas de metros de diâmetro. Esta é a primeira vez que encontramos estruturas de escoamento contínuas, impressionantes e poderosas, de mais de 1.000 metros de diâmetro. É impressionante”, disse o Dr. Semiletov. “Eu fiquei mais estupefato pela tremenda escala e alta densidade das plumas. Em uma área relativamente pequena encontramos mais de 100, mas numa área mais ampla deve haver milhares de plumas”.

Os cientistas estimam que há centenas de milhões de toneladas de gás metano presas por baixo do Permafrost, o subsolo congelado, que se estende do continente e mar adentro, localizado na relativamente rasa plataforma continental do mar  Ártico  no Leste da Sibéria.

Um dos maiores medos é que, com o desaparecimento do gelo marinho do Ártico no verão  e a elevação rápida das temperaturas em toda a região, que já está derretendo o subsolo congelado da Sibéria continental, os bolsões de gás metano presos poderiam ser liberado de repente na atmosfera, levando a um rápido e severo aquecimento global .

A equipe do Dr. Semiletov publicou, em 2010, um estudo avaliando que as emissões de metano dessa região eram de aproximadamente  de oito milhões de toneladas por ano, mas a expedição mais recente sugere que esse número subestima significativamente o fenômeno.

No final do verão setentrional de 2011 -inverno no hemisfério sul-, o navio de pesquisa russo “Acadêmico Lavrentiev” conduziu uma extensa vistoria de no mar na costa do leste da Sibéria. Os cientistas utilizaram quatro instrumentos altamente sensíveis, tanto sísmicos como acústicos, para monitorar as “fontes” ou plumas de bolhas de metano que sobem até a superfície do mar vindas de debaixo do solo oceânico.

“Numa área bem pequena, de menos  de 25.900 km² (equivalente a uma área de 259 km x 100 km), contamos mais de 100 fontes, ou estruturas em forma de tocha, borbulhando pelas colunas de água e sendo injetadas diretamente na atmosfera a partir do subsolo oceânico”, disse o Dr. Semiletov. “Em 115 pontos estáticos, nós checamos e descobrimos campos de metano numa escala impressionante—creio que numa escala jamais vista antes. Algumas plumas eram de um quilômetro ou mais de largura e as emissões iam diretamente para a atmosfera. A concentração era cem vezes maior que a normal.”

O Dr. Semiletov divulgou suas descobertas pela primeira vez em Dezembro de 2011na semana passada, no encontro da União Americana de Geofísica, em San Francisco, E.U.A.

Publicado no Jornal The Independent , de Londres, em 13 dezembro de 2011/Ecoagência
Tradução: Celso Copstein Waldemar