Ambientalistas se retiram de conselhos do governo gaúcho

RSvermelhoSinais claros de que a política ambiental do Estado do Rio Grande do Sul está com sérios problemas são evidenciados, mais uma vez, com as saídas, quase simultânea, dos conselhos estaduais do Meio Ambiente (Consema) e de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) de duas das mais importantes entidades ambientalistas gaúchas.

A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), entidade sem fins lucrativos que atua há mais de 42 anos no RS e no Brasil em defesa da preservação do ambiente natural, e a Associação Igré (Amigos da Água em Tupi-Guarani) integram a Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (Apedema-RS), junto com outras 35 entidades.

As determinações decorrem das percepções de alguns ativistas e dirigentes de entidades ambientalistas de que as formas como os referidos conselhos atuam não servem aos propósitos da luta pela preservação ambiental. As entidades entendem que os conselhos só estão as usando para referendar e legitimar decisões pré-concebidas entre governo e empresas privadas. Cabe ressaltar que esses posicionamentos ocorrem em um cenário no qual a Operação Concutare, deflagrada no final do mês de abril pela Polícia Federal, investiga as participações de dois ex-secretários da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema): um do governo Yeda Crusius (PSDB) e outro do atual governo petista.

A decisão unilateral da Agapan pegou o governo de surpresa. O secretário do Meio Ambiente, Neio Lúcio Pereira (PCdoB), e o presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Nilvo Silva, solicitaram uma agenda com a presidência da Agapan para tentar contornar a situação. As reuniões foram realizadas no dia 22 de julho. Ambos os dirigentes públicos solicitaram o retorno da Associação ao Consema. O convite foi recusado.

Caso a Apedema-RS julgue coerente, poderá indicar os nome de outras entidades que aceitem substituir a Agapan no Consema e a Igré no CDES.

Vermelho no verde?

Figura enigmática e central nessa questão envolvendo a Sema é o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O ex-secretário Berfran Rosado (PPS – RS) – com investigação em curso pela Concutare – mantinha estreita ligação com a deputada comunista Manuela D’Ávila (PCdoB – RS). Ambos, já formaram chapa para concorrer à prefeitura de Porto Alegre. Na ocasião, o PCdoB já havia trocado o tradicional vermelho por cores rosadas ao estilo “Barbie”. Além da característica cor, as significativas foice e martelo, que por décadas identificavam a legenda, também perdiam espaço em âmbito nacional para o novo ícone empunhado pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB – SP): a motosserra ruralista. O comunista foi o relator da proposta que ceifou as principais proteções ambientais do novo Código Florestal Brasileiro.

No Rio Grande do Sul, a chegada do novo governo estadual, encabeçado por Tarso Genro (PT), conduziu à frente da pasta do Meio Ambiente a comunista Jussara Cony, que foi sucedida pelo colega de partido Carlos Fernando Niedersberg. Ambos são suspeitos de envolvimento nos esquemas de facilitação de licenças ambientais no estado. Niedersberg foi preso junto do ex-secretário estadual Berfran Rosado e do ex-secretário municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre Luiz Fernando Záchia. No lugar de Niedersberg assumiu o também comunista Neio Lúcio Pereira.

Histórico

No dia 10 de julho, a Agapan anunciou a sua saída do Consema. “A composição minoritária que temos nos coloca em uma condição de incompatibilidade, gerada pelos conflitos de interesses inconciliáveis, que inviabilizam as finalidades institucionais do próprio Consema”, afirmou a conselheira da Agapan Edi Xavier Fonseca em nota divulgada no blog da entidade.

Quinze dias depois, em 27 de julho, a Igré define sua saída do CDES com a seguinte justificativa: “Estamos convencidos de que a nossa presença e possível atuação junto ao CDES não vem correspondendo satisfatoriamente às expectativas geradas pelos movimentos ambientalistas institucionalizados da sociedade civil no que se refere ao atendimento das demandas básicas definidas ao ensejo de nosso ingresso naquele conselho”.

Heverton Lacerda

Jornalista e secretário-geral da Agapan

Sócio número 1 é o novo presidente da Agapan

Alfredo Gui Ferreira e Sandra Ribeiro. (foto: César Cardia)

O botânico e ex-professor da Ufrgs, Alfredo Gui Ferreira é o novo presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) para a gestão 2013/2015. A eleição e a transmissão de cargos aconteceram em assembleia na noite de segunda-feira (15/7), e reuniu a diretoria anterior, encabeçada por Sandra Ribeiro, e conselheiros. Também foram eleitos Eduardo Finardi Rodrigues para vice-presidente, Heverton Lacerda para secretário geral, Vanessa Melgare para 1ª tesoureira e Ymara Menna Barreto, 2ª tesoureira. Ferreira é sócio fundador da entidade e sua ficha de associado é a número 1, antes mesmo de José Lutzenberger, que na época, em 1971, foi o quarto associado.

A unânime aceitação da chapa para nova diretoria da Agapan aconteceu após aprovação dos relatórios de atividades e financeiro, apresentado pela diretoria anterior. A então presidenta Sandra relatou as atividades dos últimos dois anos, destacando, neste ano, a Operação Concutare, com a prisão dos ex-secretários estadual e municipal de Meio Ambiente, Carlos Fernando Niedersberg e Luiz Fernando Záchia, entre outros indiciados, e a invasão da brigada militar ao acampamento Ocupa Árvores, na madrugada do dia 29 de maio, “fatos dramáticos da história ambiental”, diz Sandra.

Em sua gestão, Ferreira tem como objetivos melhorar ainda mais a estrutura da Sede da Agapan e atrair mais sócios, através de campanhas e ações. “Vamos manter o atendimento às demandas ambientais e, agregando novas estratégias, ampliar e qualificar ainda mais nossa atuação”, antecipou o novo presidente, que é doutor em ecofisiologia, ciência que estuda o funcionamento e as relações entre as plantas.

Informações: Assessoria de Imprensa da Agapan

Fotos: Adriane Bertoglio Rodrigues e César Cardia/ Agapan

Impacto de agrotóxicos é tema de palestra em Porto Alegre

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“Impacto dos agrotóxicos no equilíbrio de Gaia” é tema da palestra que a farmacêutica especialista em toxicologia e conselheira da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Ana Valls, fará na próxima terça-feira, dia 9, às 19h, no auditório da Livraria Cultura, em Porto Alegre. Com entrada franca, a palestra integra os debates promovidos pela Fundação Gaia – Legado Lutzenberger, realizados nas segundas terças-feiras de cada mês.

O objetivo da palestra de Ana Valls é apresentar e discutir sobre os danos mais graves provocados pelos agrotóxicos e como evitá-los. Inicialmente, Ana apresentará um histórico dos agrotóxicos na sociedade humana com seus impactos no planeta Terra, chegando à situação atual. “Na época em que foi criada a nossa pioneira lei para controlar os agrotóxicos, em 1982, ainda havia como classificá-los em grupos, hoje com o avança da química isto está muito complicado” alerta Ana.

O principal enfoque da palestrante serão questões de saúde decorrentes do uso e aplicação dos agrotóxicos. Segundo ela, é muito importante saber o que cada um pode fazer para evitar o mal provocado por eles, o que será bastante ressaltado na palestra.

Ana Valls atua na área de análise dos agrotóxicos nos alimentos. Além de conselheira da Agapan, é fundadora da Associação Brasileira de Agroecologia. Atualmente sua atuação está voltada para questões de mobilização ambiental e saúde pública. Integra o Conselho Estadual de Saúde, representando a Agapan.

O Auditório da Livraria Cultura no Bourbon Shopping Country, em Porto Alegre, fica na rua Túlio de Rose, 80. Os interessados podem obter certificado de participação nas palestras devem enviar e-mail para reservas@fgaia.org.br.

As informações são da Assessoria de Imprensa da Agapan, com apoio da Fundação Gaia.