Laranja: mecânica ou transgênica?

Laranja-transgenica

Os consumidores vão ter que engolir mais esta: em breve, as prateleiras dos supermercados estarão cheias de laranjas transgênicas. E, no que depender dos produtores, como sempre, a preferência será não rotular. Afinal, eles têm medo de quê?

Conforme o monitoramento da CTNBio, feito pela *AS-PTA, “na reunião realizada ontem (16/5), a CTNBio aprovou regras para isolamento de experimentos com laranjeiras transgênicas. A partir de agora as empresas poderão realizar pedidos para essas pesquisas já tendo em vista uma futura liberação comercial de laranjas transgênicas no mercado.”

http://aspta.org.br/

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5 comentários sobre “Laranja: mecânica ou transgênica?

  1. Caros.
    Dos experimentos à liberação comercial há um longo caminho, onde o proponente tem que demonstrar que a laranja GM é segura, além de trazer vantagens ao agricultor. Alguns candidatos vão sucumbir, outros serão bem sucedidos. O que vai chegar ao mercado é ainda desconhecido: pode ser uma laranjeira resistente a bactérias que afetam a cultura, mas pode ser algo muito diferente.
    Seja lá o que chegar ao mercado, terá que passar por uma peneira regulatória forte. Até agora NENHUM DOS PRODUTOS LIBERADOS NO BRASIL TEVE QUALQUER IMPACTO NEGATIVO NA SAÚDE DOS BRASILEIROS, o que mostra que os reguladores estão fazendo seu dever de casa corretamente. Alarmar o povo de antemão não leva a nada positivo.

    • Prezado Paulo,
      Alguns pesquisadores do tema dizem que não transcorreu ainda tempo suficiente para que se prove cientificamente que as novas espécies criadas pela engenharia genética e liberadas no ambiente natural não causam “impactos negativos”.
      Creio que seja necessário, sim, informar a população quanto aos riscos de inserir novas espécies nos biomas naturais sem estudos mais aprofundados quanto aos impactos na biodiversidade.
      O debate destas questões não pode ficar circunscrito aos laboratórios e gabinetes políticos. A população deve se apropriar do tema para poder, coletivamente, decidir se aceita ou não a inserção de OGMs em suas dietas.
      O que acontece, atualmente, é a tentativa de abafar o debate, inclusive com projetos de leis que pretendem retirar a obrigação de rotulagem das embalagens.

  2. Heverton, em ciência não há sempre consenso, assim como também em avaliação de riscco. Por isso, alguns vão achar que precisamos mais informações para tomar uma decisão, outros se darão por satisfeitos. Isso foi o que ocorreu até agora, nunca houve consenso na CTNBio, mas a maioria (2/3 ou mais, em geral) decidiu pela aprovação do produto.
    Onde entra o cidadão brasileiro nesta discussão? Na sua fase inicial, que é muito técnica (avaliação de risco) ele está representado pelos membros da CTNBio que de uma forma ou outra refletem segmentos da sociedade. Cada novo produto é colocado em consulta pública e, em alguns casos, vai a uma audiência pública. Além disso, a CTNBio é fortemente influenciada pela mídia, inclusive a internet. Por fim, há o Conselho Nacional de Biossegurança formado por 11 ministros e que é o braço público que pode barrar uma liberação, caso haja preocupações públicas verdadeiras e justificadas, além dos limites estritos do risco biológico.
    Além disso as reuniões da CTNBio são públicas, assim com a maioria da informação que está lá. Esta comissão, curiosamente, é uma das mais abertas do governo: você pode ir quando quiser, não precisa solicitar a ninguém, coisa que não ocorre no IBAMA, no MEC, no COPOM e em quase nenhum outro lugar.
    Assim, não há tentativa de abafar o debate.
    Já a rotulagem é outra coisa muito diferente da avaliação de risco e um dia poderemos discutir isso.
    Atenciosamente,
    Paulo Andrade
    Dept. Genética/ UFPE

  3. Paulo,respeito a sua opinião. Mas, não creio que o cidadão esteja representado na CTNBio. Há muitos interesses econômicos envolvidos. Relatos de pesquisadores aqui do RS, que participam ou participaram da Comissão, sugerem que a formação da CTNBio privilegia a vontade do produtor. Caso parecido acontece aqui no estado, onde renomadas entidades ambientalistas se retiraram do Consema por entender que seus votos contrários aos projetos que degradam o meio ambiente não servem para decidir, apenas para constar em atas.

    • Heverton, na CTNBio sentam 27 titulares e 27 suplentes (ou quase isso). A maioria é de pesquisadores de instituições públicas, alguns são de ONGs e ainda alguns são aposentados. Mas a imensa maioria é ligada ao ensino e à pesquisa, de forma independente: não recebem apoio de empresas multinacionais para seus trabalhos, nem engordam suas contas com auxílios delas e tão pouco viajam e se divertem pagos pelas multinacionais. Assim, embora seja muito fácil acusar, como fazem certos pesquisadores do RS, difícil é provar, porque não tem cabimento algum a acusação. Ao contrário, quem acusa os membros da CTNBio que votam pela liberação dos produtos muitas vezes é pago por organizações agroambientais e nao tem isenção para se pronunciar sobre a questão dos transgênicos.
      De toda forma, isso também é irrelevante. O importante, Heverton, é a qualidade e seriedade das avaliações, que você pode facilmente avaliar: nenhum dos transgênicos até hoje liberados provocou, sequer minimamente, um dano ao ambiente ou à saúde.
      Cordialmente,
      Paulo Paes de Andrade
      Ex-membro da CTNBio por 6 anos
      Professor de universidade pública e gratuita (UFPE) desde 1983
      Ex-Aluno de escola pública
      Devotado defensor deste país

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