Filme sobre Guarani-Kaiowá é apresentado em Porto Alegre

Os índios guarani-kaiowá estavam sobre o viaduto da Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre, na noite desta quarta-feira (31). Eram os atores principais do filme Terra Vermelha (2008), do diretor ítalo-chileno Marco Bechis, que conta com as excelentes atuações dos brasileiros Leonardo Medeiros e Matheus Nachtergaele.

Exibido ao ar livre para uma plateia de mais de 100 pessoas, que ocupou as escadarias do viaduto Otávio Rocha, em frente ao movimento Utopia e Luta, o longa-metragem é inspirado em fatos reais. A história se desenvolve ao redor de um grupo indígena da etnia guarani-kaiowá que, liderado pelo cacique Nádio (Ambrósio Vilhalva), sai da reserva para habitar o local onde seus ancestrais foram enterrados.

O filme aborda, entre outros aspectos, o tão recentemente divulgado caso dos suicídios de jovens indígenas.

No entanto, um dos grandes objetivos dos organizadores da exibição foi promover o acesso ao conhecimento sobre a cultura e a causa das tribos guarani brasileiras e desmitificar tais atitudes.

Ao final da sessão, o professor José Otávio Catafesto de Souza, do departamento de antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o índio Guarani-mbyá Vherápoty, da tribo localizada no Canta Galo, região sul de Porto Alegre, expuseram seus pontos de vista sobre o tema e abriram para o período de debates.

Os demais participantes ouviram atentamente as colocações daqueles que fizeram uso do microfone e expuseram seus protestos, indignações e poesias em apoio aos índios guarani-kaiowá, de Tekoha guasu, território tradicional desta etnia, localizado no Mato Grosso do Sul, região Centro-Oeste do país.

Conforme foi anunciado pelos organizadores, está agendado um encontro no dia 9 de novembro, às 17h, no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, para mostrar o posicionamento contrário da sociedade frente à violência que está sendo executada contra os guarani-kaiowá. A intenção dos participantes é percorrer o caminho até a frente da Federação da Agricultura do Estado do RS (Farsul) para mostrar a indignação em relação à atual forma de exploração das terras no RS e no Brasil.

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