Sustentabilidade e o “novo” Código Florestal: Anacrônicos e insustentáveis.

Por Heverton Lacerda

A palavra SUSTENTABILIDADE encontra-se em profusão descompassada. A apropriação do conceito original dessa expressão pela publicidade (de empresas, governos e marketeiros) está desgastando o real significado, tornando-a uma simples garota propaganda sem efeito moral. De certa forma, ela está ultrapassada e não serve mais satisfatoriamente ao princípio primordial de preservação que encerra.

A origem do termo “sustentável” vem do latim sustentare, que significa sustentar, defender, favorecer, apoiar, conservar, cuidar. Segundo o Relatório de Brundtland (1987), o uso sustentável dos recursos naturais deve “suprir as necessidades da geração presente sem afetar as possibilidades das gerações futuras de suprirem as suas”.

Não é isso o que está acontecendo. Muito pelo contrário, estamos permitindo que interesses capitalistas pontuais indiquem o rumo a seguir. Isso é extremamente perigoso e deveria ser impedido a tempo. O uso indiscriminado e crescente de agrotóxicos na produção de alimentos e a disseminação sorrateira de sementes transgênicas pelas lavouras brasileiras (e do mundo) são provas incontestáveis disso.

A SUSTENTABILIDADE, hoje em dia, descontando o uso propagandístico do termo, está mais ligada à necessidade de salvar e tentar recuperar o que ainda resta do que propriamente preservar o meio ambiente do jeito que está.
Nesse sentido, o projeto do novo Código Florestal (PLC 30/2011), que está tramitando no Congresso Nacional, é uma ameaça criminosa e, por consequência, inaceitável contra a atual geração e, principalmente, contra as gerações futuras.

O texto do projeto é uma carta permissiva para aos desmatamentos de áreas de preservação e um presente aos contraventores que fizeram desmatamentos ilegais em suas propriedades. Os interessados na aprovação desse texto são beneficiários diretos e indiretos dos ganhos pecuniários e políticos resultantes da aprovação do projeto. Enquanto grupos apartidários, formados por cidadãos de diversas cidades brasileiras, manifestam-se contrários ao projeto, o Congresso dá as costas para a população e volta-se, submisso, aos poderosos Reis do Agronegócio.

Dessa forma que estão sendo conduzidos, a prática da sustentabilidade e o projeto “novo” Código Florestal Brasileiro tornam-se instrumentos anacrônicos e insustentáveis para a situação delicada em que nos encontramos.


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