Monge budista pede ajuda e alerta sobre os perigos das Usinas Nucleares

Monge Yoshihiko Tonohira

Na palestra realizada nessa segunda-feira (23), em Porto Alegre, o monge Yoshihiko Tonohira, acompanhado da filha Yuko Tonohira, falou sobre o cenário atual do Japão e criticou a postura da mídia e do governo daquele país em relação aos desdobramentos da catástrofe que ocorreu em 11 de março de 2011. “A mídia só transmite os discursos do governo e das corporações.”

Faz quase um ano que a região de Fukushima, localizada no nordeste do Japão, foi atingida por fortes abalos sísmicos que arrasaram a cidade. O terremoto e o tsunami sozinhos já causariam muitos estragos. No entanto, o problema foi seriamente agravado com os vazamentos e as explosões dos reatores da usina de Fukushima Daiichi.

Segundo Yoshihiko, o governo sonegou informações para a população sobre os locais mais contaminados com a radiação nuclear.  Ele afirma que os moradores do local ficaram sem saber para onde fugir. No entanto, informa que os militares americanos, que têm bases na região, receberam as informações exatas do governo japonês.

Essa relação submissa do Japão pós-guerra com a cúpula política norte-americana desagrada o monge, que luta, ao lado vários outros japoneses, pelo fim das usinas nucleares. Yoshihiko pede que o governo e as empresas de eletricidade que atuam no Japão se responsabilizem pelos problemas de Fukushima. Afinal, ele questiona, “se a energia é propriedade privada por que os problemas com o lixo nuclear têm que serem arcados pelo povo?”

Além dos danos ambientais, que podem continuar afetando aquela região por muitas décadas, e talvez até por séculos, existem os problemas socioculturais: Mais de 60 mil japoneses continuam refugiados em várias partes do país. Casais têm se separado para que o marido possa continuar em suas propriedades e cuidar da manutenção da família, colocando em risco a sua própria integridade física e o equilíbrio psicológico do grupo familiar.

A contaminação do solo tem se transferido para os alimentos plantados na região. Através do ar e da água (oceanos e rios) a radiação continua se alastrando sem que seja possível mensurar a totalidade de locais, culturas e biodiversidade que será ainda afetada.

Francisco Milanez, presidente da AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), entidade que organizou o evento, perguntou sobre a forma como os brasileiros podem ajudar nessa luta pelo fim das usinas nucleares e pela formação de uma cultura de geração de energia limpa.  Yoshihiko respondeu que é importante ajudar a conscientizar a população brasileira e mundial sobre os sérios riscos que acompanham as usinas nucleares.

Portanto, nesse sentido, se você concorda com esse ponto de vista e acredita também que é possível gerar toda a energia que precisamos de forma limpa, ou seja, utilizando tecnologias modernas e inteligentes que aproveitem recursos naturais renováveis como as ondas do mar, os ventos e o sol, entre outros, ajude-nos a divulgar essa ideia. Compartilhe esse post e tantos outros materiais disponíveis na internet.

Faça a sua parte e sejamos parceiros nessa missão de tornar o mundo melhor para todos.

Mais informações (em inglês) no site divulgado por Yuko Tonohira http://www.jfissures.org/

Esta palestra aconteceu durante o Fórum Social Temático 2012.
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2 comentários sobre “Monge budista pede ajuda e alerta sobre os perigos das Usinas Nucleares

  1. Doloroso exemplo do tamanho do estrago que uma usina nuclear pode fazer, é encontrado em Fukushima.
    A energia que julgavam barata e que serviu durante mais ou menos por 30 anos para mover todo o tipo de bugigangas para uma parcela das pessoas que lá moravam, acabou com o peder de recuperação de um povo adaptado a desatres naturais (terremotos e tsunamis são registrado a milhares de anos no local)
    Acredita-se que os primeiros habitantes de Fukushima tenham se estabelecido há mais de 100 mil anos, embora as evidencias mais concretas surjam apenas a partir de 10 mil anos atrás. Porem o povo local perdeu o poder de resiliencia após o acidente nuclear.
    Será que estes 30 anos de consumo de uns poucos, e suas bugigangas valeram a continuidade das vidas destes milhares que lá viveram e viveriam?

  2. Pingback: Tragédia de Fukushima completa um ano « Observatório Ambiental

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