Perspectivas para a Rio+20

O que podemos esperar do evento que está programado para acontecer no próximo ano na cidade do Rio de Janeiro e marca a passagem de duas décadas desde a Rio 92?

Esse foi o tema principal da Terça Ecológica*, promovida pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS), que aconteceu nessa terça-feira (06).

Confesso que participei do evento com a perspectiva de obter uma resposta “pronta” sobre o que nós, ambientalistas, podemos fazer durante a Rio+20 em prol do meio ambiente. Essa pergunta haviam me feito há alguns dias. Mas, no momento, não soube responder. E o pior de tudo é que, mesmo depois de ter participado da excelente Terça Ecológica, ainda não sei a resposta exata. Ou seja, algumas sugestões surgiram, mas, muito desanimadoras.

O engenheiro agrônomo e florestal Sebastião Pinheiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, abordou vários assuntos importantíssimos que, em sua opinião, não serão debatidos durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Pinheiro iniciou a apresentação com a fotografia de Kevin Carter, ganhadora do prêmio Pulitzer de 1994. (clique na foto para ler o texto). Em seguida, falou sobre a forma como as sementes estão distribuídas no mundo e concluiu que “o agronegócio é considerado supremo e que não há espaço para discussão”. Sobre a lógica do mercado de alimentos, apontou para a realidade perversa na qual “os alimentos industrializados da cesta básica são destinados para os pobres, enquanto aos ricos cabem os orgânicos, de melhor qualidade e, conseqüentemente, mais caros.”

Segundo Pinheiro, “os acordos entre os poderosos já estão firmados para a Rio+20”. Já o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), entidade ambientalista brasileira mais antiga em atuação até hoje no País, Francisco Milanez, acredita que aos ambientalistas restará participar de eventos paralelos e aproveitar a ocasião para ampliar os laços entre militantes da causa ambiental.

Sobre a lógica do mercado, que se sobrepõe a qualquer pretensão de desenvolvimento socioambiental ecologicamente equilibrado e saudável, Milanez afirma que “pessoas saudáveis não alimentam a economia e que, nessa perspectiva, doenças geram bons negócios.” Chamou a atenção para o aumento dos casos de câncer nas últimas décadas, principalmente em crianças, e citou como exemplos recentes o ex-presidente Lula, a atual presidenta Dilma Rousseff e o ex-vice-presidente José Alencar.

Cuidado com o marketing verde

*A Terça Ecológica acontece há mais de 17 anos. Mensal e gratuita, reúne jornalistas, comunicadores, estudantes, ONGs e demais movimentos sociais e ambientais, sempre com debates de temas atuais.

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