O “S” que falta no PAC

 

 

arteSe pudéssemos, nós povo, participar sempre das elaborações de políticas públicas dos governos que elegemos, talvez fizéssemos eles verem a importância de acrescentar, sempre, a letra “S” nas siglas que identificam programas destinados a nós, povo.

Mas, isso não é o que acontece na realidade. Mesmo em um governo que emergiu do povo, percebemos que as decisões continuam sendo carimbadas em gabinetes blindados para nós, povo, mas escancarados para lobistas e magnatas, nacionais e estrangeiros. O paradigma não mudou: “Minoria economicamente abastada decide, povo obedece e trabalha para tocar a máquina.”

Quer um exemplo disso? Aí vai: Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha sobre o novo Código Florestal Brasileiro, 85 % dos entrevistados prefere “priorizar a proteção das florestas e rios mesmo que, em alguns casos, isso prejudique a produção agropecuária.” No entanto, o que está acontecendo é um atropelo avassalador da bancada ruralista do Congresso Nacional, que tem aporte financeiro de poderosos empresários da agroindústria e da pecuária, para aprovar esse novo Código antiecológico a qualquer custo. E o que mais indigna alguém do povo, como esse humilde jornalista que aqui escreve, é que quase toda a base do governo que participa das comissões que votam os projetos do novo Código, na Câmara e no Senado, está mancomunada com a elite ruralista.

Precisa de exemplo mais devastador do que esse? Um governo eleito pela maioria do povo, não deveria escutar essa mesma maioria? Ou 85% não é maioria? Ou, ainda, “bastam propagandas bonitinhas nas próximas eleições e o povo, bobinho, esquece tudo?”

O “S”

No famoso Plano de Aceleração do Crescimento, representado pela sigla “PAC”, faltou, infelizmente, acrescentar o “S” de SUSTENTÁVEL. Sim, é uma simples letrinha. Mas, que, nesse contexto, poderia contribuir para que o nosso crescimento não afetasse, de forma catastrófica, as gerações futuras. Ou nossos filhos e netos não merecem a oportunidade de receber um mundo preservado, como nós recebemos de nossos antepassados?

Um dos grandes projetos do PAC, aquele programa que não é sustentável, é a construção de usinas hidrelétricas por todo o território brasileiro. A maior delas é a Usina de Belo Monte, que consumirá recursos financeiros na ordem de R$ 7 bilhões e causará grandes impactos ambientais na bacia hidrográfica amazônica, a maior do mundo. No entanto, Belo Monte não é a única usina que vem por aí. Muitas outras estão previstas no PAC 2, ou seja, o tamanho da devastação em nome do “crescimento” é incalculável.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica, ANEEL, o Brasil possui 2.516 empreendimentos de geração de energia em operação, gerando 116.248.398 kW de potência. Destes, a energia eólica representa apenas 1,01 % e a biomassa 6,98%.

Cabe ressaltar, também, que no PAC 2 as usinas nucleares são consideradas fontes limpas de energia. Isso não é de se estranhar em um Programa de Aceleração do “Crescimento” que não está interessado com o desenvolvimento pleno, duradouro e, principalmente, Sustentável do nosso povo.

Heverton Lacerda / Observatório Ambiental
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3 comentários sobre “O “S” que falta no PAC

  1. Heverton sua análise é muito justa coerente e exata.

    Vou destacar um pedaço dele para reflexão:

    “Mas, isso não é o que acontece na realidade. Mesmo em um governo que emergiu do povo, percebemos que as decisões continuam sendo carimbadas em gabinetes blindados para nós, povo, mas escancarados para lobistas e magnatas, nacionais e estrangeiros. O paradigma não mudou: “Minoria economicamente abastada decide, povo obedece e trabalha para tocar a máquina.”

    Os governos historicamente tem feito isto, mas – agora que estamos na era da informações, creio que temos que circular informações e reflexões como esta que você coloca para provocar um despertar em relação a esta realidade.

    Chega uma hora que temos que iniciar um basta. Creio que inclusive deveria ser estudado algum projeto de lei que garantisse a participação da sociedade em decisões estratégicas como relacionado ao meio ambiente, energia nuclear, transgênicos etc.

    Creio que nenhum de nós ao votar em qualquer representante estamos dando a ele uma procuração assinado em branco.

    Voltando ai ao seu texto – “Minoria economicamente abastada decide, povo obedece e trabalha para tocar a máquina.”

    O governo esta representando quem? A minoria!

    Sendo assim a palavra democracia é apanas um rótulo para enganar as pessoas e na prática ela não funciona e acaba sendo uma ditadura ou pior…

    Vamos a outra parte seu texto :

    Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha sobre o novo Código Florestal Brasileiro, 85 % dos entrevistados prefere “priorizar a proteção das florestas e rios mesmo que, em alguns casos, isso prejudique a produção agropecuária.”

    Para que serve o congresso, senado e o governo?

    Eles representam quem?

    È melhor então acabar com o voto obrigatório ou que seja criado algum dispositivo que seja obrigatório a participação da sociedade.

    Ao votar você passou uma procuração assinado em branco e com uma cláusula – pode enviar a fatura que o que eu não conseguir pagar as próximas gerações pagaram?

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