A bela da Praia de Belas

No dia em que Porto Alegre completou 239 anos (26/03/11), capturei essa imagem num canteiro central da Avenida Praia de Belas, no bairro de mesmo nome, onde moro. É um gira-sol dividindo espaço com veículos, motoristas, pedestres e asfalto.

Esse canteiro de plantas e flores é resultado do trabalho abnegado de uma moradora das proximidades. A bela jardineira anônima transformou o chão poeirento e cheio de pedregulhos em um lugar com mais vida e belo. Mesmo enfrentando algumas dificuldades, como a recusa do síndico de ceder água do condomínio para regar as plantas; escutar desaforos de engraçadinhos que passam de carro e arruaceiros que destroem alguns arbustos, ela não desiste e continua jardinando no meio da avenida.

Obrigado jardineira anônima por ajudar a deixar a nossa cidade mais linda e saudável!

Parabéns Porto Alegre!

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Onde estão as abelhas?

É creditada a Albert Einstein a afirmação de que “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, em quatro anos a raça humana também poderá desaparecer”. Pode até ser uma previsão catastrofista, mas, é preciso que entendamos a importância das abelhas para a disseminação da vida em nosso planeta.

Durante o desenvolvimento de suas atividades, a abelhas fazem a polinização de plantas.

“Polinização é o transporte do pólen dos estames de uma flor até a parte feminina de outra; deste modo, obtêm-se as sementes que produzirão uma nova planta. Embora essa função também seja realizada pelo vento e por outros insetos, são as abelhas as maiores responsáveis pelas polinizações. Quando pousam sobre uma flor, seus corpos ficam cobertos de pólen e, ao visitarem outras flores, partes do pólen se desprendem, polinizando as plantas.”

70% dos tipos de alimentos que consumimos são polinizados por abelhas

Segundo Achim Steiner, sub-secretário-geral da ONU e diretor executivo da UNEP “de 100 tipos de colheitas que alimentam a humanidade, 70 são polinizadas por abelhas”.  Steiner, de acordo com o Independent, afirma que “os seres humanos fabricaram a ilusão de que no século 21 terão o domínio tecnológico para serem independentes da natureza”.

Aqui no Brasil é evidente, no discurso do setor produtivo agroindustrial, representado pela bancada ruralista do Congresso Nacional, o conceito (autoproclamado) de que os grandes produtores de alimentos, que trabalham com uso massivo de agrotóxicos, são os responsáveis pela alimentação e bem estar da população. Nesse caso, parecem menosprezar ou desconhecer a função natural das abelhas e da agricultura familiar de base ecológica.

Dados da IFOAM (Federação Internacional para os Movimentos da Agricultura Orgânica) registram que, no ano de 2007, uma grande quantidade de alimentos ecológicos foi colhida em 20 milhões de hectares de áreas selvagens. Nesse processo produtivo o trabalho das abelhas é fundamental.

O sumiço das abelhas

Continua sendo um grande desafio para governos e pesquisadores identificar as causas que estão levando ao desaparecimento de colônias inteiras de abelhas em várias partes do mundo.

O fenômeno é percebido na Europa desde a década de 1960, intensificando-se no final do milênio passado. Na última década estendeu-se para a América do Norte. Atualmente, o declínio da quantidade de abelhas já está sendo sentido na África e na Ásia, segundo pesquisadores que estão trabalhando para a ONU. Relatados apontam, também, ocorrências no Japão e na China, onde agricultores estão tendo de polinizar pomares com as mãos, por falta dos insetos.  No Egito já há sinais de queda nas colônias africanas, diz relatório do Programa Ambiental da ONU (UNEP).

Vários fatores, segundo os cientistas, podem estar causando o desaparecimento das abelhas:

  • A queda no número de plantas com flores
  • O uso de inseticidas perigosos
  • A disseminação global de pestes
  • A poluição do ar

Outro fator, que não é citado pelo relatório da ONU, mas que pode estar influenciando no desaparecimento das abelhas é o aumento descontrolado de áreas plantadas com organismos geneticamente modificados, os transgênicos.

Link reduzido: http://wp.me/pff11-8Q

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Link para o blog Mural Virtual – Educação Ambiental

Agrotóxicos neonicotinóides: A Bayer continua matando abelhas em todo o planeta

Ambientalistas gaúchos protestam contra hidrelétricas

Protesto em frente à Secretaria Estadual do Meio Ambiente RS

No Dia Internacional de Luta Contra as Barragens o Movimento em Defesa do Rio Pelotas-Uruguai, formado por integrantes de diversas ONGs do Rio Grande do Sul, realizou um protesto contra projetos hidrelétricos que estão previstos no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) para serem executados no rio Uruguai, uma continuação do rio Pelotas.

Segundo Paulo Brack, professor do Departamento de Botânica da UFRGS e membro do InGá (Instituto Gaúcho Estudos Ambientais), “não se trata de ser contra a construção de qualquer hidrelétrica e sim evitar os excessos que estão previstos para serem implantados no rio Uruguai”.

Eduardo Ruppenthal entrega carta para Jussara Cony

Nesse sentido, o foco principal do protesto de hoje foi a construção do complexo hidrelétrico GARABI-PANAMBI. Representantes do Movimento, que protestavam pacificamente com faixas, tambores e apitos, foram recebidos pela secretária estadual do Meio Ambiente, Jussara Cony (PC do B). A secretária, que assumiu a pasta há pouco mais de dois meses, recebeu uma carta contendo as reivindicações dos ambientalistas. No encontro, esteve presente a representante gaúcha do MOB (Movimento dos Atingidos por Barragens), Patrícia Prezotto, que luta para que as famílias atingidas por barragens tenham seus direitos respeitados.

Demonstrando-se bastante atenciosa e solícita,  Cony se comprometeu a estudar o assunto e repassar para o governador Tarso Genro.

“ÁGUA E ENERGIA NÃO SÃO MERCADORIAS”

Com essas palavras de ordem, os manifestantes percorreram as ruas do centro de Porto Alegre desde a Secretaria Estadual do Meio Ambiente até o Palácio Piratini. Durante o percurso, a Brigada Militar facilitou o trânsito até a sede do governo estadual. No Palácio, outro grupo foi recebido pela assessora de movimentos sociais do Gabinete da Casa Civil, Ariane Leitão. Após entregar uma cópia da carta com as reivindicações, o grupo solicitou acesso às informações sobre os processos das construções das hidrelétricas do PAC e uma reunião com o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana.

Abaixo, a íntegra da carta.

CARTA AO GOVERNO DO ESTADO DO RS

DIA INTERNACIONAL  DE LUTA CONTRA AS BARRAGENS

Porto Alegre, 14 de março de 2011

Governador do Estado do Rio Grande do Sul

Senhor Tarso Herz Genro

Secretária Estadual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul

Senhora Jussara Cony

N/C.

Excelentíssimo Sr. Governador e Excelentíssima Sra. Secretária:

O Movimento em Defesa do Rio Pelotas-Uruguai, neste Dia 14 de março de 2011– Dia Internacional de Luta Contra as Barragens, vem expressar seu veemente protesto contra os mega-projetos hidrelétricos previstos para o rio Uruguai, em especial o Complexo de Garabi-Panambi e a hidrelétrica (UHE) de Pai Querê, que fazem parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Tais projetos poderão desalojar 50 mil pessoas do campo e da cidade, destruindo os últimos grandes remanescentes florestais (dezenas de milhares de hectares) da região do Alto Uruguai, causando a extinção de centenas de espécies da fauna e da flora gaúcha, justamente nas Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade (MMA, 2007), e na Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (UNESCO).

É importante destacar que este rio já sofreu o alagamento provocado por outras quatro barragens (Foz do Chapecó, Itá, Machadinho e Barra Grande). Estas obras fazem parte de um conjunto de, pelo menos, dez grandes hidrelétricas em sequência no mesmo rio, concebidas em 1977, que atingem grande parte da bacia e podem condenar a morte o rio Uruguai. Também é importante destacar que este processo atinge outras bacias, contabilizando-se mais de 1 milhão de pessoas desalojadas no Brasil

Há mais de 5 anos, vimos denunciando uma série de irregularidades em empreendimentos hidrelétricos, como no caso da empresa Engevix, na UHE Barra Grande (rio Pelotas). Ali se perderam 6 mil hectares de florestas, a maior parte com araucárias, em Áreas Prioritárias para a Conservação (MMA, 2007), com a licença de instalação emitida pelo IBAMA, em 2001, baseada em estudos fraudulentos.

Denunciamos o caráter autoritário desde a concepção dos projetos até o seu licenciamento, processo que praticamente chancela a decisão sobre as licenças ambientais concedidas às hidrelétricas. O mesmo ocorreu, recentemente, com a UHE Belo Monte, no rio Xingu (PA), obra inviável e que também sofreu processo ilegal e que deve ser interrompida imediatamente!

Exigimos também que o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e o Governo Federal oportunizem a reavaliação democrática dos projetos do PAC, sob a luz de novos conhecimentos da biologia da conservação e que se faça justiça com a enorme dívida do País com os povos indígenas e tradicionais, que tem direito a integridade de seu território e suas formas de vida, sem ingerências de quaisquer governo.

Consideramos uma ilegalidade que se continue anunciando a realização de obras que não possuam Avaliações Ambientais Integradas realizadas por órgãos de meio ambiente, além de Estudo de Viabilidade Socioambiental e estudos sérios e isentos de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), seguindo a Política Nacional de Meio Ambiente.

Sendo assim, os Governos do Estado do Rio Grande do Sul e o Governo Federal devem respeitar a Constituição Federal e Estadual e demais legislação vigente, bem como a Convenção da Diversidade Biológica e todos os acordos internacionais que o Brasil assinou o tocante aos direitos humanos e à biodiversidade e rediscutir alternativas e para quem e para quê irá esta energia.

Reiteramos que os rios devem ter áreas livres de barramento, não podendo ser leiloados e submetidos a uma simples visão de mercado.

Ficamos no aguardo de Vossas manifestações.

Atenciosamente,

MOVIMENTO EM DEFESA DO RIO PELOTAS-URUGUAI

(Ingá- Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, Amigos da Terra – Brasil,

Diretório Acadêmico do Instituto de Biociências da UFRGS, Igré)