Boletim de rádio – Transgênicos

O Instituto de Comunicação Social e Cidadania, através do projeto Observatório Ambiental, está produzindo boletins semanais de rádio para o programa Conversa de Jornalista, da Associação Riograndense de Imprensa. A reprodução deste material é livre para fins não comerciais.

Abaixo, o texto escrito do boletim.

No programa de hoje vou abordar um tema bastante polêmico no que se refere à produção de alimentos para o consumo humano no Brasil. Infelizmente, a questão dos transgênicos, ou organismos geneticamente modificados, os OGMs, não tem recebido por parte das autoridades e da imprensa o destaque que essa delicada questão necessita.

Empurrados por milionárias campanhas de marketing das empresas que produzem e comercializam esses novos organismos vivos, os produtores brasileiros têm apostado no cultivo de transgênicos em suas propriedades. De acordo com um relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia, o Isaa, em 2010 foram plantados aqui no País mais de 25 milhões de hectares com culturas geneticamente modificadas de soja, milho e algodão, uma área equivalente a do estado do Piauí. O Brasil já é o segunda maior produtor de transgênicos do mundo, posicionado entre a Argentina que ocupa a terceira posição e os Estados Unidos, que produz 66,8 milhões de hectares de transgênicos.

Quanto à Europa, os relatos indicam que a população tem rejeitado o consumo dessas espécies transgênicas. Para os europeus o Brasil ainda é uma esperança para a obtenção de produtos não transgênicos e também os alimentos produzidos com sistemas de base ecológica.

Se de um lado as pressões exercidas pelas indústrias ligadas ao setor da biotecnologia têm pressionado o governo brasileiro a ceder espaço para os transgênicos. De outro, muitos ambientalistas e alguns pesquisadores preocupados com a falta de informações sobre as consequências dessa atividade têm chamado a atenção para a necessidade de ser respeitado o princípio da precaução, que aconselha cautela no uso e na disseminação massiva de produtos criados em laboratório.

Entre os argumentos desses cientistas e ambientalistas, estão os seguintes:

Ainda não há informações seguras sobre os efeitos dos transgênicos para a saúde e para o meio ambiente. Situação que, no mínimo, causa estranheza sobre o posicionamento da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio – de liberação do cultivo dessas espécies criadas em laboratórios.

Também não há segurança sobre os efeitos para a saúde dos agricultores que conviverem com estes produtos. É importante ressaltar que o cultivo de transgênicos está associado ao uso intensivo de agrotóxicos: herbicidas e inseticidas.

Outro forte argumento, que interessa mais diretamente aos produtores, é que as sementes possuem o componente “terminator” que as torna estéreis para a utilização de seus frutos como sementes, obrigando os produtores a comprarem sempre as sementes das empresas fabricantes. Desta forma, os agricultores, acabam perdendo a autonomia sobre suas plantações.

Deixo aqui para vocês uma pequena provocação para refletirem:

“Quando, por motivos meramente econômicos, o ser humano resolve brincar de Criador e alterar a evolução natural da vida, pode estar trilhando caminhos desconhecidos e perigosos. É necessária muita cautela.”

Do Observatório Ambiental, projeto do Instituto de Comunicação Social e Cidadania, Heverton Lacerda para o Conversa de Jornalista.

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3 comentários sobre “Boletim de rádio – Transgênicos

  1. Excelente site. Como poderia compartilhar esse link ou essa matéria sobre transgenicos? Como me cadastro para receber matérias novas ?
    Obrigada.

  2. Oi Vanessa! Obrigado pelo carinho.
    Coloquei uma caixa para inscrições de e-mails aqui no blog. Pode se inscrever por ali. Quanto a compartilhar, é só copiar o link ali de cima e colar nas redes ou e-mail. Ainda não consegui colocar os botõezinhos do face e twitter. Um link curto para colocar no twitter é http://wp.me/pff11-6K
    Abraços. Heverton

  3. Legal Everton, vou depois com calma , ler as outras matérias. coloque os ” botoezinhos ” sim, hoje em dia as redes sociais nos ajuda e muito na divulgação.
    Um abraço
    Até mais.
    Vanessa

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